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domingo, 26 de junho de 2011

Variações Linguísticas

 Vale  ler  o texto abaixo e refletir sobre variantes linguísticas e o preconceito.

ASSALTANTE PARAIBANO ('sertanejo'; lógico!!) - Ei, bichim... Isso é um assalto... Arriba os braços e num se bula, num se cague e num faça munganga... Arrebola o dinheiro no mato e não faça pantim, se não enfio a peixeira no teu bucho e boto teu fato pra fora... Perdão meu Padim Ciço, mas é que eu tô com uma fome da moléstia.

ASSALTANTE BAIANO - Ô meu rei...(pausa) Isso é um assalto...(longa pausa) Levanta os braços, mas não se avexe não... (outra pausa) Se num quiser nem precisa levantar, pra num ficar cansado... Vai passando a grana, bem devagarinho (pausa pra pausa) Num repara se o berro está sem bala, mas é pra não ficar muito pesado. Não esquenta, meu irmãozinho, (pausa) Vou deixar teus documentos na encruzilhada.

ASSALTANTE MINEIRO - Ô sô, prestenção... isso é um assarto, uai. Levanta os braço e fica quetin quêsse trem na minha mão tá cheio de bala... Mió passá logo os trocados que eu num tô bão hoje. Vai andando, uai! Tá esperando o quê, uai!

ASSALTANTE CARIOCA - Seguiiiinnte, bicho ...Tu te ferrou, mermão. Isso é um assalto. Perdeu, perdeu! Passa a grana e levanta os braços, rapá. Não fica de bobeira que eu atiro bem pra c... Vai andando e se olhar pra traz vira presunto.

ASSALTANTE PAULISTA - Ôrra, meu.... Isso é um assalto, mano. Levanta os braços, mano... Passa a grana logo, mano. Mais rápido, meu, que eu ainda preciso pegar a bilheteria aberta pá comprar o ingresso do jogo do Curintia, mano... Pô, se manda, mano....

ASSALTANTE GAÚCHO - O guri, ficas atento... Bah, isso é um assalto. Levanta os braços e te aquieta, tchê! Não tentes nada e cuidado que esse facão corta uma barbaridade, tchê. Passa as pilas prá cá! E te manda a la cria, senão o quarenta e quatro fala.

ASSALTANTE LÁ EM BRASÍLIA - Querido povo brasileiro, estou aqui no horário nobre da TV para dizer que no final do mês, aumentaremos as seguintes tarifas: Energia, Água, Esgoto, Gás, Passagem de ônibus, Imposto de Renda, Licenciamento de veículos, Seguro Obrigatório, Gasolina, Álcool, IPTU, IPVA, IPI, ICMS, PIS, COFINS, CPMF, IMPOSTO DE RENDA ETC. 


 
Fonte: http://www.pedagogiaaopedaletra.com/wp-content/uploads/2011/04/VARIEDADE-LINGUISTAS.jpg
http://izaltablog.blogspot.com/2010/02/variantes-linguisticas.html

Postado por: Laís Aline, Myrella Araújo e Nícollas Abreu.

domingo, 12 de junho de 2011

Variações linguísticas: o modo de falar do brasileiro (Parte 1)



Todas as línguas apresentam variações linguísticas, a foto acima serve para comprovar isso. As línguas podem ser compreendidas por meio de sua história no tempo (variação história, que ocorre de acordo com a visão diacrônica) e no espaço (variação regional). As variações linguísticas podem ser compreendidas a partir de três diferentes fenômenos. 

1º) Em sociedades complexas convivem variedades linguísticas diferentes, usadas por diversos grupos sociais, com diferentes acessos à educação formal; pode-se perceber que as diferenças tendem a ser maiores na língua falada que na língua escrita, ou seja, não se fala como se escreve. Exemplo: uma pessoa de classe alta poderá falar "problema", enquanto uma pessoa de classe baixa poderá falar "pobrema".

2º) Pessoas de um mesmo grupo social expressam-se com falas diferentes de acordo com as diferentes situações de uso (ou contextos de fala), sejam situações formais, informais ou de outro tipo. Por exemplo, em uma situação informal, um cidadão de classe baixa poderá dizer ao seu amigo: "Carlos, fui no centro hoje e não consegui um emprego." Esse mesmo cidadão poderá falar ao seu ex-patrão: "Marcos, fui ao shopping hoje e ainda não consegui arrumar um emprego."

3º) Há falares específicos para grupos específicos, como profissionais de uma mesma área (médicos, policiais, cientistas, filósofos, profissionais de informática, metalúrgicos, alfaiates, por exemplo),  jovens, grupos marginalizados e outros. São as conhecidas gírias e jargões.
Por exemplo, um biólogo conversa com outro e cita: " Encontrei um Canis familiaris bastante machucado na rua próxima ao aeroporto." Para quem não sabe, "Canis familiaris" significa cão, ou seja, ocorre na frase uma linguagem científica.

Assim, além do português padrão, há outras variedades de usos da língua cujos traços mais comuns podem ser evidenciados abaixo:



Uso de “r” pelo “l” em final de sílaba e nos grupos consonantais: pranta/planta; broco/bloco.
Alternância de “lh” e “i”: muié/mulher; véio/velho.
Tendência a tornar paroxítonas as palavras proparoxítonas: arve/árvore; figo/fígado.
Redução dos ditongos: caxa/caixa; pexe/peixe.
Simplificação da concordância: as menina/as meninas.
Ausência de concordância verbal quando o sujeito vem depois do verbo: “Chegou” duas moças.
Uso do pronome pessoal tônico em função de objeto (e não só de sujeito): Nós pegamos “ele” na hora.
Assimilação do “ndo” em “no”( falano/falando) ou do “mb” em “m” (tamém/também).
Desnasalização das vogais postônicas: home/homem.
Redução do “e” ou “o” átonos: ovu/ovo; bebi/bebe.
Redução do “r” do infinitivo ou de substantivos em “or”: amá/amar; amô/amor.
Simplificação da conjugação verbal: eu amo, você ama, nós ama, eles ama.


Curiosidades


Variações regionais: os dialetos
Todos os exemplos que aparecerão em seguida, são amostras de dialetos. Se você fizer um levantamento dos nomes que as pessoas usam para a palavra "diabo", talvez se surpreenda. Muita gente não gosta de falar tal palavra, pois acreditam que há o perigo de evocá-lo, isto é, de que o demônio apareça. Alguns desses nomes aparecem em o "Grande Sertão: Veredas", Guimarães Rosa, que traz uma linguagem muito característica do sertão centro-oeste do Brasil:

Demo, Demônio, Que-Diga, Capiroto, Satanazim, Diabo, Cujo, Tinhoso, Maligno, Tal, Arrenegado, Cão, Cramunhão, O Indivíduo, O Galhardo, O pé-de-pato, O Sujo, O Homem, O Tisnado, O Coxo, O Temba, O Azarape, O Coisa-ruim, O Mafarro, O Pé-preto, O Canho, O Duba-dubá, O Rapaz, O Tristonho, O Não-sei-que-diga, O Que-nunca-se-ri, O sem gracejos, Pai do Mal, Terdeiro, Quem que não existe, O Solto-Ele, O Ele, Carfano, Rabudo.


Fonte: http://educacao.uol.com.br/portugues/ult1693u60.jhtm


Postado por: Nícollas Abreu