sexta-feira, 24 de junho de 2011

Resenha "A Pesquisa Sociolinguística"

O livro A pesquisa sociolingüística está divido em cinco capítulos, a saber: “A relação entre língua e sociedade”, “O fato sociolingüístico”, “A variação lingüística: primeira instância”, “A variação lingüística: segunda instância”, “Variação e mudança lingüística.” Após estes, vem às conclusões, o vocabulário crítico e por fim, a bibliografia comentada.

No primeiro capítulo, o autor propõe o objetivo do livro: as possíveis maneiras de combater o "caos" lingüístico que é associado a um campo de batalha. Também propõe um ponto de partida para a análise do pesquisador – a relação entre língua e sociedade. E por fim, delimita o modelo de analise abordado neste livro: à teoria da variação lingüística – modelo teórico-metodológico – que tem como objeto de estudo o caos lingüístico.
Fernando Tarallo discute a questão da relação entre língua e sociedade. O autor utiliza a definição de língua numa perspectiva de que consiste em percebê-la como fato social, como um sistema convencional adquirido pelos indivíduos durante o convívio social, e, portanto, está sujeito a variações de ordem fonológica, morfossintática, estilística e/ou semântica.
No segundo capítulo “O fato sociolinguístico”, o autor propõe uma metodologia de coleta de dados para que o pesquisador possa apreender a constituir o seu objeto de análise; além de discutir a relação entre teoria, método e objeto de estudo.
De acordo com o autor, esse modelo teórico-metodológico tem como precursor William Labov. Seu modelo analítico é denominado por alguns estudiosos de sociolinguística quantitativa. Conforme Tarallo, esse modelo teórico metodológico parte da identificação do objeto, o fato linguístico – a língua falada. No que se refere à teoria, consiste na investigação científica sobre a língua, servindo como suporte para definir os procedimentos metodológicos a serem empregados durante o estudo.
Com relação à coleta de dados, o autor problematiza a questão de se estudar a língua em situações naturais de comunicação, o pesquisador teria, então, grandes dificuldades para não interferir nessa naturalidade desejada. Então, o autor propõe que neste processo de coleta de material, o pesquisadornão deve participar diretamente, dessa maneira não será prejudicada a naturalidade da situação de comunicação, exercendo, assim, o papel de pesquisador-observador.
No entanto, Tarallo nos apresenta que a partir desse papel se estabelece um paradoxo, o pesquisador necessita participar diretamente da interação, para que assim possa controlar os tópicos de conversa, estimulando as realizações da variável linguística que está interessado.
Portanto, surge um problema com relação à orientação teórico-metodológica do pesquisador, que necessita de dados suficientes para seu estudo, contando apenas com os dados coletados através de sua interação com o entrevistado, não podendo interferir na naturalidade da situação de comunicação.
O autor apresenta, ainda, “O método de entrevista sociolinguística: a coleta de narrativas de experiência pessoal”, que consiste na seleção dos falantes, organizados em módulos: classe social, faixa etária, etnia, sexo, nível de escolaridade e entrevistados seguindo um roteiro de perguntas com o acompanhamento de um gravador, sem que este seja visto como um elemento de “intimidação” pelo falante.
Ainda segundo Tarallo, seria necessário, ainda, que o sociolinguista tenha o cuidado em não pronunciar o termo língua, além de ter que adequar o seu falar ao do grupo entrevistado.
No terceiro capítulo “Variação Linguística: primeira instância” divide-se em cinco tópicos. Em O envelope de variação, Tarallo apresenta o envelope como o elencamento das variantes adversárias, exemplificando-as como as adversárias ([S]) e vazio. Utiliza-se mais uma vez a proposta de Labov na concepção e na aquisição do modelo sociolingüístico em ao mesmo tempo ser sincrônico e diacrônico. E o duplo objetivo da comparação de variantes. Em As armas e as artimanhas das variantes: fatores condicionadores, o autor discorre sobre as hipóteses que são dadas ao contexto ou fatores que influenciam a variável, ou seja, os contextos são considerados como os fatores condicionantes, que, decerto, influenciam nas variantes. Em A operacionalização do modelo, quatro grupos e fatores possíveis são usados como exemplo da variável do plural do sintagma nominal. No tópico, O encaixamento lingüístico da variável, o encaixamento deve ser alcançado como a motivação das hipóteses dos grupos de fatores. E o último tópico Os fatores extralingüísticos, o autor diz que tudo que convém de pretexto para variável poder ser proeminente para o exame dos dados. E por conta disso, os fatores precisam partir da percepção do pesquisador.
No quarto capítulo “A variação linguística: segunda instância”, o autor discute a noção de estereótipos e dos marcadores e indicadores sociolinguísticos; bem como, a questão sobre variação e normalização linguística; discute ainda, o papel desempenhado pela língua e pelos meios de comunicação de massa; e, por fim, os parâmetros extralinguísticos: classe social, faixa, etária, sexo, etnia e estilo.
O autor aborda neste capítulo, a ideia de avaliação das variáveis sociolinguísticas do falante de uma maneira geral, ao contrário do abordado no capítulo anterior que considerou a visão do pesquisador. Partindo de pesquisas feitas e do conhecimento já adquirido sobre a comunidade, o pesquisador intui o papel atribuído às variantes pela comunidade de falantes. Então, o tratamento estatístico dos dados indicará que alguns grupos de fatores são responsáveis pela realização de uma variante, enquanto que outros grupos não demonstram qualquer efetividade na aplicação da regra variável.
O autor afirma que o pesquisador pode submeter seus informantes a uma situação, ou seja, os testes sociolingüísticos que tem o intuito à avaliação da variante pelos informantes. O autor considera a língua falada como heterogênea e variável, contudo, essa variabilidade é passível de sistematização, pois esta modalidade da língua é um sistema variável de regras. Esse sistema de variação deve corresponder às tentativas de regularização e normalização. A língua escrita é proveniente da regularização, é ensinada nas escolas tendo como “suporte” a norma padrão portuguesa, assegurando a unidade da língua. Com isso, o autor propõe a investigação de fontes de dados que tenham como objetivo a unificação da língua nacional, como por exemplo, os meios de comunicação de massa; o autor ainda afirma que, embora esses meios priorizem a norma culta, possuem traços variáveis de informalidade, característicos da fala.
O autor conclui este capítulo propondo uma ampliação do conceito de gramática, que segundo ele, deveria abranger a forma (estrutura) e a substância (uso) da língua, levando em consideração a noção do uso lingüístico e a caracterização da comunidade de fala através de seus traços referenciais e socioestilísticos.
No quinto capítulo "Variação e mudança lingüística" está dividido em quatro tópicos: “Contemporização ou morte?”;” A faixa etária: o tempo aparente”; “O tempo real: fontes históricas”; “A viagem de ida e de volta: do presente ao passado e de volta ao presente”. No primeiro tópico, o autor faz a relação entre variação e mudança. E a análise de variantes pode tomar duas direções, a variação estável ou a mudança em progresso. Ele também fala sobre a estrutura da língua, esta só será entendida a partir do seu processo histórico de sua configuração. Já no segundo tópico, o autor conceitua o tempo aparente como um recorte transversal da amostra sincrônica em função da faixa etária dos informantes. Para exemplificar o autor se utiliza dos resultados de Cedergren (1970) e de Peter Trudgill (1971). No terceiro tópico, a partir de fonte histórica como cartas pessoais, Atlas lingüísticos, entre outros, é possível, para o sociolinguísta, analisar as variantes de uma determinada época. Para isto, é necessário considerar cinco dimensões: fatores condicionantes, encaixamento, avaliação, transição e a implementação. No quarto tópico, o autor se vale do exemplo das orações relativas, tendo uma variante padrão e duas não-padrão, com o objetivo de colher informações históricas sobre cada variante num dado momento sincrônico.
No sexto capítulo “Conclusões”, Tarallo faz uma breve síntese dos capítulos abordados no livro e retoma a questão da heterogeneidade, demonstrando que é possível sistematizar a língua falada, mesmo com a coexistência de variantes em um mesmo período histórico. Dessa forma, o autor critica a idéia de homogeneidade da língua. Destina o livro àquelas pessoas que ainda não reconheceram que a lingüística se vale de pressupostos teóricos e metodológicos. Além de ressaltar que o papel do pesquisador é "investigar aquilo que varia e como a variação pode ser sistematizada".
Apresentando ainda, o sétimo capítulo, “Vocabulário crítico”, onde o autor nos traz alguns conceitos utilizados ao longo do livro.
E, por fim, o oitavo capítulo, “Bibliografia comentada”, está dividida em quatro partes. Na primeira apresenta os livros didáticos sobre a sociolinguística existentes no mercado; na segunda, algumas antologias de textos clássicos; na terceira, apresenta as obras de William Labov; e na quarta parte, o autor faz algumas sugestões de leituras complementares.
O livro A pesquisa Sociolinguística, de Fernando Tarallo, é imprescindível aos estudantes e profissionais da área da linguística que tem a intenção de se tornar um pesquisador e a todos que, de um modo geral, se utilizam da linguagem.


Fonte: TARALLO, Fernando. A pesquisa sociolinguística. São Paulo: Ática. 7 ed. 2001.

Postado por: Laís Aline.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Museu da Língua Portuguesa?

Qual o motivo da indagação no título da postagem? Bom, eu creio que você, caro leitor,  já deva ter escutado sobre museus que realizam exposições de peças históricas ou de obras de arte contemporâneas. O fato é que nunca se tinha ouvido falar de um museu no qual a língua fosse assunto principal. Falando nisso, acredite, este é o primeiro museu do mundo dedicado a um idioma. Com a diversidade de livros encontradas nesse local, é possível observar as diferentes culturas do nosso país. São palavras do superintendente Antônio Carlos de Moraes Sartini: " O Museu da Língua Portuguesa contempla toda a diversidade cultural do nosso povo, do brasileiro, já que a língua é o elo da nossa cultura". Antônio Carlos afirma, ainda, que o museu traz uma maneira revolucionária de ensinar a Língua Portuguesa. São exemplos de escritores com obras presentes no acervo: Fernando Pessoa, Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector e Gregório de Matos. Este último é um dos escritores que apresentam uma linguagem "mais antiga", diferente de Clarice Lispector, que pertenceu ao Modernismo Brasileiro, sendo este um assunto a ser tratado pela Sociolinguística. Pode-se perceber também que, este museu, além da sala de aula, faz uma relação entre a linguagem e a educação. O vídeo com uma entrevista de Antônio Carlos de Moraes Sartini pode ser visto a seguir:



Como pode-se observar esse tema é bastante importante, não só para nós, estudantes de Letras, mas também para os admiradores deste idioma tão rico que é a Língua Portuguesa.

P.s: Caro leitor, não esqueça de acessar a nossa biblioteca virtual. Ela está atualizada! Agora você  pode encontrar nela alguns slides sobre essa disciplina completa, que é a Sociolinguística. Entre eles estão "Variação e Mudança da Língua Portuguesa", "TARALLO. relação entre língua e sociedade" e "TARALLO. A mudança lingüística".  Basta clicar em Links informacionais. Disponibilizamos um pequeno texto de Câmara Cascudo, é muito interessante! Veja também a nossa Biblioteca Virtual - Livros e Biblioteca Virtual - Vídeos. Divirta-se!

Postado por: Nícollas Abreu

quarta-feira, 22 de junho de 2011

ARTIGO DE OPINIÃO: A linguagem popular em oposição à linguagem culta

A linguagem popular é berço da nossa cultura linguística. Utilizada em nosso cotidiano, caracterizado por um falar “errado”. Hoje, eu sei que vai depender do contexto de fala (adequado ou inadequado). "Errado" está ultrapassado. Deixo esse termo apenas para os preconceituosos, ou melhor, defensores de uma forma "correta" de se falar. 
A linguagem culta, reverenciada por grandes escritores brasileiros, impregnadas de regras. Cuide da grafia. Pratique a concordância. Cadê a regência do verbo? Essas são as principais questões da variante de prestígio. Os conservadores defendem que é o padrão de unificação.  Agora, eu pergunto: como é que se unificar um país com grandes diversidades como é que faz isso? Principalmente, se esse padrão de unificação for à língua.
O povo brasileiro se expressa, através das palavras: sentimentos, dores, visão de mundo. Os falares regionais, por exemplo, testemunham a grandeza e a diversidade do nosso país, pois as camadas populares se utilizam dessa variante estigmatizada para se comunicar.  O que importa é se a comunicação ocorre com sucesso. 

Postado por: Myrella Araújo.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Patativa do Assaré, uma variante do Brasil


Bom, pessoal, as postagens do blog estão chegando ao fim e não poderíamos deixar de citar um dos maiores ícones da literatura nacional: Patativa do Assaré. Patativa foi um poeta popular, compositor, cantor e improvisador brasileiro. Ele não é responsável apenas por escrever brilhantemente e contribuir para a diversidade da literatura brasileira mas, também, por colaborar com as variações linguísticas. É por meio de suas obras que podemos observar com uma riqueza de detalhes os dialetos regionais. Uma das características principais presentes no seu trabalho é a abordagem do sofrimento de seu povo, esclarecendo para o leitor o que se passava no sertão onde vivia, como também, em outros ambientes. Disponibilizarei a seguir o poema "A triste partida", um de seus poemas mais conhecidos:

Setembro passou, com oitubro e novembro
Já tamo em dezembro.
Meu Deus, que é de nós?
Assim fala o pobre do seco Nordeste,
Com medo da peste,
Da fome feroz.
A treze do mês ele fez a experiença,
Perdeu sua crença
Nas pedra de sá.
Mas nôta experiença com gosto se agarra,
Pensando na barra
Do alegre Natá.
Rompeu-se o Natá, porém barra não veio,
O só, bem vermeio,
Nasceu munto além.
Na copa da mata, buzina a cigarra,
Ninguém vê a barra,
Pois barra não tem.
Sem chuva na terra descamba janêro,
Depois, feverêro,
E o mêrmo verão
Entonce o rocêro, pensando consigo,
Diz: isso é castigo!
Não chove mais não!
Apela pra maço, que é o mês preferido
Do Santo querido,
Senhô São José.
Mas nada de chuva! ta tudo sem jeito,
Lhe foge do peito
O resto da fé.
Agora pensando segui ôtra tria,
Chamando a famia
Começa a dizê:
Eu vendo mau burro, meu jegue e o cavalo,
Nós vamo a São Palo
Vivê ou morrê.
Nòs vamo a São Palo, que a coisa tá feia;
Por terras aleia
Nós vamo vagá.
Se o nosso destino não fô tão mesquinho,
Pro mêrmo cantinho
Nós torna a vortá.
E vende o seu burro, o jumento e o cavalo,
Inté mêrmo o galo
Vendêro também,
Pois logo aparece feliz fazendêro,
Por pôco dinhêro
Lhe compra o que tem.
Em riba do carro se junta a famia;
Chegou o triste dia,
Já vai viajá.
A seca terrive, que tudo devora,
Lhe bota pra fora
Da terra natá.
O carro já corre no topo da serra.
Oiando pra terra,
Seu berço, seu lá,
Aquele nortista, partido de pena,
De longe inda acena:
Adeus, Ceará!
No dia seguinte, já tudo enfadado,
E o carro embalado,
Veloz a corrê,
Tão triste, o coitado, falando saudoso,
Um fio choroso
Escrama, a dizê:
- De pena e sodade, papai, sei que morro!
Meu pobre cachorro,
Quem dá de comê?
Já ôto pergunta: - Mãezinha, e meu gato?
Com fome, sem trato,
Mimi vai morrê!
E a linda pequena, tremendo de medo:
- Mamãe, meus brinquedo!
Meu pé fulô!
Meu pé de rosêra, coitado, ele seca!
E a minha boneca
Também lá ficou.
E assim vão dexando, com choro e gemido,
Do berço querido
O céu lindo e azu.
Os pai, pesaroso, nos fio pensando,
E o carro rodando
Na estrada do Su.
Chegaro em São Paulo - sem cobre, quebrado.
O pobre, acanhado,
Percura um patrão.
Só vê cara estranha, da mais feia gente,
Tudo é diferante
Do caro torrão.
Trabaia dois ano, três ano e mais ano,
E sempre no prano
De um dia inda vim.
Mas nunca ele pode, só veve devendo,
E assim vai sofrendo
Tormento sem fim.
Se arguma notícia das banda do Norte
Tem ele por sorte
O gosto de uvi,
Lhe bate no peito sodade de móio,
E as água dos óio
Começa a caí.
Do mundo afastado, sofrendo desprezo,
Ali veve preso,
Devendo ao patrão.
O tempo rolando, vai dia vem dia,
E aquela famia
Não vorta mais não!
Distante da terra tão seca mas boa,
Exposto à garoa,
À lama e ao paú,
Faz pena o nortista, tão forte, tão bravo,
Vivê como escravo
Nas terra do su.


Segue abaixo um vídeo ilustrativo sobre o poema, a música é cantada por Luiz Gonzaga.



Curiosidade: Ele ganhou o apelido de Patativa, uma alusão ao pássaro de lindo canto, quando tinha vinte anos de idade.

Fonte: http://www.fisica.ufpb.br/~romero/port/ga_pa.htm#Atri

P.s: Para quem quiser ler outros poemas de Patativa, baixe o livro "Cordéis e outros poemas", que está disponível em nossa biblioteca virtual. 

Postado por: Laís Aline, Myrella Araújo e Nícollas Abreu

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Resumo-Dialeto do Norte.

AMAZOFONIA, OU DIALETO NORTISTA, REFERE-SE AO DIALETO EMPREGADO POR BOA PARTE DOS HABITANTES DA REGIÃO AMAZÔNICA (OU SEJA, A REGIÃO NORTE DO BRASIL) E DE SEUS SETE ESTADOS.
A REGIÃO NORTE DO BRASIL TEM PELO MENOS DOIS DIALETOS DE DESTAQUE: O DIALETO CONSIDERADO O TRADICIONAL, UTILIZADO PELA MAIORIA DOS HABITANTES DA REGIÃO, NAS DUAS MAIORES CIDADES BELÉM DO PARÁ E MANAUS, TOTALMENTE EM QUATRO DOS SETE ESTADOS DA REGIÃO: ACRE, AMAZONAS, RORAIMA E AMAPÁ E EM PARTE DO PARÁ; O OUTRO DIALETO É UTILIZADO PELOS MIGRANTES DE 70, PRESENTE NA REGIÃO SUDESTE DO PARÁ (REGIÃO DE CARAJÁS), NO ESTADO DE RONDÔNIA É UM DIALETO DERIVADO DE MISTURAS DE NORDESTINO, MINEIRO, CAPIXABA, GOIANO E GAÚCHO.
O DIALETO QUE TEM UM NOME BASTANTE CURIOSO: “CANUA CHEIA DE CUCOS DE PUPA A PRÚA”, QUE SERIA NA LÍNGUA CULTA CANOA CHEIA DE COCOS DE POPA A PROA. ESTE DIALETO É FALADO POR AMAZONENSES E PARAENSES, E SUA MARCA ESSENCIAL É A MODIFICAÇÃO DA PRONÚNCIA DA VOGAL TÔNICA O EM U.

CARACTERÍSTICAS DO DIALETO:
O EMPREGO DE VERBOS NA SEGUNDA PESSOA, EXEMPLO: "TU FIZESTE”, "TU ÉS", "TU FOSTE", "TU CHEGASTE", ALÉM DO "R" E "S" COMO DE CARIOCA, "D" COM SOM DE "DJ" E "T" COM SOM DE "TCH", TENDO TAMBÉM A LIMPIDEZ E A NITIDEZ NA PRONÚNCIA. TAMBÉM TEM O SOM DE "L" E "LI" PALATALIZADO, COMO "FAMÍLHIA" (FAMÍLIA) OU "PALHITO" (PALITO).

  • PODE SOAR PARA OUTRAS PESSOAS QUE NÃO SEJAM DA REGIÃO COMO SOTOQUE CARIOCA, NO ENTANTO PODEMOS PERCEBER ALGUMAS CARACTERÍSTICAS DISTINTIVAS, COMO:

  • NÃO HÁ PALAVRAS GINGADAS, COMO NO SOTAQUE CARIOCA;

  •   QUASE NÃO EXISTE O EMPREGO DE "VOCÊ", SALVO AS FORMALIDADES;

  •   NÃO SE TROCAM O SOM DA LETRA "S" POR "R";

  •   TENDE-SE A USAR MAIS ÊNCLISES A PRÓCLISES;


EXPLICAÇÃO HISTÓRICA DO SOTAQUE:
DEVIDO À FORTE COLONIZAÇÃO PORTUGUESA NA REGIÃO NORTE E A POUCA INFLUÊNCIA LINGUÍSTICA E CULTURAL DE OUTROS POVOS. ESSE SOTAQUE É EMPREGADO EM QUASE TODA A REGIÃO AMAZÔNICA.
LEMBRANDO...
NÃO É UM SOTAQUE TÃO BEM DEFINIDO COMO OUTROS, JUSTAMENTE POR SUA PECULIARIDADE DE FORMAÇÃO, ALÉM DE TER UM MARCANTE O USO DO "S" COMO O DO SOTAQUE PAULISTA, E OUTRAS PECULIARIDADES.

Curiosidades
DIALETO NORTISTA
Confira o significado de alguns termos usados:

PAPUDINHO: PESSOA ALCOÓLATRA.
MÃO DE MUCURA ASSADA: SOVINA.
PAI D’ÉGUA: INTERJEIÇÃO QUE SIGNIFICA LEGAL, BACANA.
XIBÉ: PRATO FEITO DE FARINHA DE MANDIOCA E ÁGUA.
CHURRELA: CALDO OBTIDO APÓS O PROCESSAMENTO DO AÇAÍ, QUANDO AS SEMENTES. SÃO LAVADAS E A ESTA “ÁGUA DE AÇAÍ” É DADO O NOME DE CHURRELA.





POSTADO POR: LAÍS ALINE.

domingo, 19 de junho de 2011

Não se fala como se escreve - Língua escrita e oral



"Português é fácil de aprender porque é uma língua que se escreve exatamente como se fala."

Pois é. U purtuguêis é muinto fáciu di aprender, purqui é uma língua qui a genti iscrevi ixatamenti cumu si fala. Num é cumu inglêis qui dá até vontadi di ri quandu a genti discobri cumu é qui si iscrevi algumas palavras. Im purtuguêis não. É só prestátenção. U alemão pur exemplu. Qué coisa mais doida? Num bate nada cum nada. Até nu espanhol qui é parecidu, si iscrevi muinto diferenti. Qui bom qui a minha língua é u purtuguêis. Quem soubé falá sabi iscrevê.


O texto acima, já mencionado no blog, é do escritor e humorista Jô Soares, para a revista Veja. Ele brinca com a diferença entre o português falado e escrito. Na verdade, em todas as línguas, as pessoas falam de um jeito e escrevem de outro. A fala e a escrita são duas modalidades diferentes da língua e é com esse fato que o Jô brincou. 


A língua escrita é regida de acordo com as regras da gramática normativa. Isso acontece porque, ao falar, as pessoas podem ainda recorrer a outros recursos para que a comunicação ocorra - pode-se pedir que se repita o que foi dito, há os gestos, etc. Já na linguagem escrita, a interação é mais complicada, o que torna necessário assegurar que o texto escrito dê conta da comunicação.

A escrita não reflete a fala individual de ninguém e de nenhum grupo social, já a fala pode refletir o falar de um grupo social, por exemplo. Por essa razão, a fala e a escrita exigem conhecimentos diferentes. A maioria de nós, brasileiros, falamos, por exemplo, "Eli me levô pra rua". O português na variante padrão exige, no entanto, que se escreva assim: "Ele me  levou à rua". Essas diferenças geram muitos conflitos.

A leitura de um trecho do poema de Antonino Sales, "Malinculia", mostra as interferências da fala na escrita e como elas não anulam a expressividade poética de suas imagens.

Malinculia, Patrão, É um suspiro maguado Qui nace no coração! É o grito safucado Duma sodade iscundida Qui nos fala do passado Sem se torná cunhicida! É aquilo qui se sente Sem se pudê ispricá! Qui fala dentro da gente Mas qui não diz onde istá! (...)

(BAGNO, Marcos. "A Língua de Eulália: Uma Novela Sociolinguística)

Um fato muito importante a ser mencionado é que a língua muda, ainda, conforme o grupo social, a região, e o contexto histórico. São as chamadas variações linguísticas. A gíria de o jargão são algumas dessas variações. Este último assunto foi matéria da postagem de ontem. Por que você não dá uma conferida? Mande suas sugestões e críticas também, todas elas serão bem-vindas!
Fonte: http://educacao.uol.com.br/portugues/ult1706u79.jhtm
Postado por: Nícollas Abreu

sábado, 18 de junho de 2011

GÍRIA, JARGÃO, BORDÃO CONFORME A SITUAÇÃO


Exemplo de bordão: Vídeo Show, exibido em 21/10/09

A língua varia no tempo e no espaço. Há ainda as variações linguísticas dos grupos sociais (jovens, grupos de profissionais, personagens de televisão, etc.) e até mesmo, há variação quando um único indivíduo, em situações diferentes, usa diferentemente a língua, de forma a se adequar ao contexto de comunicação. Uma dessas variações é a "gíria", que são as palavras que entram e saem da moda, de tempos em tempos.
A gíria teve sua origem na maneira de falar de grupos marginalizados que não queriam ser entendidos por quem não pertencesse ao grupo. Hoje, entende-se a gíria como uma linguagem específica de grupos específicos, como os jovens. Grupos sociais distintos têm seus "modos de falar", como é o caso dos mais escolarizados e, até mesmo, os grupos profissionais que se expressam por meio das linguagens técnicas de suas profissões.

Você conhece o "Dicionário dos Mano"? Aqui vão alguns exemplos:


·  Mano não briga: arranja treta.

·  Mano não cai: capota.

·   Mano não entende: se liga.

·   Mano não passeia: dá um rolê.

·  Mano não come: ranga.

·   Mano não fala: troca ideia

·   Mano não ouve música: curte um som.
Jargão é o modo de falar específico de um grupo, geralmente ligado à profissão. Existe, por exemplo, o jargão dos médicos, o jargão dos especialistas em informática, etc.

Exemplo:
Imagine que você foi a um hospital e ouviu um médico conversando com outro. A certa altura, um deles disse:
"Em relação à dona Fabiana, o prognóstico é favorável no caso de pronta-suspensão do remédio."
É provável que você tenha levado algum tempo até entender o que o médico falou. Isso porque ele utilizou, com seu colega de trabalho, termos com os quais os dois estão acostumados. Com a paciente, o médico deveria falar de uma maneira mais simples. Assim:
"Bem, dona Fabiana, a senhora pode parar de tomar o remédio, sem problemas"

Bordão é uma expressão comumente usada por alguém, sempre em uma determinada situação. Também serve para facilitar a identificação de diversos personagens no meio humorístico.


 Fonte: http://1.bp.blogspot.com/Vk8TAGFewvg/TcPgonTY_bI/AAAAAAAAAJo/2HaVqcrT0Vk/s1600/giria+-+C%25C3%25B3pia.jpg
http://www.youtube.com/watch?v=KbcXtf3MlG4
http://educacao.uol.com.br/portugues/giria-e-jargao-a-lingua-muda-conforme-situacao.jhtm
http://pt.wikipedia.org/wiki/Bord%C3%A3o

Postado por: Myrella Araújo.

P.S: Gíria, Jargão, Bordão todo mundo conhece um. As contribuições serão bem vindas e, conforme a quantidade, merecerão uma página especial. Deixe seu comentário!